Postado 27 outubro 2013

Resenha: O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks

Por Regiane Cristina S.






Título: O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks
Autor: 
E. Lockhart
Nº de páginas: 344
Ano Edição: 2013
Editora: Seguinte

Classificação: 4/5 estrelas






“  Eu, Frankie Landau-Banks, venho por meio desta confessar que sou a única por trás das malcriações da Leal Ordem dos Bassês. Assumo responsabilidade total pelos transtornos provocados pela Ordem - incluindo a Garota da Biblioteca, os Cãezinhos na Janela, a Noite dos Mil Cães, a Revolta da Beterraba Enlatada e o sumiço do Peixinho. ”

N a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, eu fui surpreendida pela editora Seguinte com uma ecobag cheia de mimos e com a prova de O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks. Desde que eu fiquei sabendo do lançamento, fiquei super curiosa para conferir o trabalho da autora E. Lockhart. Felizmente o livro superou minhas expectativas e me proporcionou uma leitura gostosa, divertida que me prendeu do começo ao fim. 


Frankie Landau-Banks é uma garota que até aos 14 anos era bem comum e com um estereótipo nerd.  Estudante da escola tradicional e competitiva Alabaster. Ao retornar das férias - para as aulas do 2º ano - tudo muda. O corpo de Frankie toma formas e curvas que antes não faziam parte dela, acompanhada também de uma bela mudança em suas atitudes.  

A partir disso, ela já não passa mais despercebida e acaba chamando a atenção do cara mais popular do colégio: Matthew Livingston, que se torna seu novo namorado. Com isso ela logo começa a fazer parte do seu círculo de amizades do último ano. 

A garota não demora muito em descobrir que Matthew é integrante de uma  curiosa e lendária sociedade secreta, conhecida como Leal Ordem dos Bassês - um grupo que prega peças pela escola e que não é permitido a entrada de meninas. Mas como Frankie é dona de uma personalidade forte, não aceitará essa condição e irá abusar da sua inteligência e sua sagacidade para manipular o clube, além de criar os mais diversos questionamentos sobre suas políticas e poder. Mas será que ela conseguirá não se deixar cegar pela paixão, sem se perder de si mesma?


Peguei esse livro para ler nessa semana, e se não fosse o trabalho eu já tinha terminado, porque a escrita da autora é muito envolvente, do tipo que não dá vontade de largar mais até chegar à última página. Minha ansiedade foi tão grande, que todo e qualquer momento livre, lá estava eu, entretida nas ideias mirabolantes da protagonista.


E. Lockhart me encantou com a sua criatividade e com o humor depositado na medida certa nesse livro. Sem contar que é totalmente perceptível que ela fez uma minuciosa pesquisa para a construção de sua história em cima de sociedades que são muito comuns em escolas e universidades americanas, com suas famosas pegadinhas. Definitivamente a autora conquistou a minha simpatia e admiração pela sua dedicação e carinho depositado nessa obra.

A narração segue em 3ª pessoa, dando uma visão bem ampla dos acontecimentos e os detalhes e cenários são bem ricos, mas sem soar cansativo. Pelo contrário, tudo é muito atrativo. Os e-mails trocados entre os personagens foi uma das coisas que mais me chamou a atenção. Frankie não poupa palavras ácidas e calculistas, o que me rendeu boas risadas.


Achei incrível a forma como E. Lockhart se baseou em O Código dos Wooster de P. G. Wodehouse, para explorar a teoria Positivo Negligenciado que Frankie praticamente tem uma obsessão. Depois de ler vários exemplos citados pela personagem, eu fiquei pensando em algumas palavras onde esse conceito pode ser aplicado. 

“ — Serei dulgente em relação a isso — disse Frankie — Não vou emprestar minha roupa íntima.
— Dulgente? 
— Artie franziu a testa olhando para ela. 
— O positivo negligenciado de indulgente. Não vou indulgir essa sua ideia. Vou dulgi-la. Nada de sutiã. 

Eu perdi as contas de quantos quotes eu selecionei nesse livro. Quando não eram engraçados, eram criativos ou interessantes. 


Eu gostei muito dos personagens que foram apresentados em O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, pois eles são muito bem construídos e suas personalidades são bem marcantes. Sou suspeita para falar de Frankie já que ela me ganhou logo de cara. Apesar de ser uma garota com ideias próprias, ela acaba se sentindo vulnerável e insegura - como qualquer outra adolescente quando o assunto é relacionamento. Isso deu um toque real e me agradou muito. 

Matthew é o típico garoto popular, aparentemente agradável. Só que desde o começo eu sabia que não ia me afeiçoar a ele. Não que ele seja ruim, mas o mundinho dele é tão fechado, que mesmo sem se dar conta, Matthew age conforme suas vontades e nunca parando para pensar se Frankie concorda e fica feliz com elas. Ele a reprimia a todo e qualquer momento, sem dar chances de ela expor suas opiniões. Isso me irritou demais. 

Alfa - apesar de me tirar muito do sério - é incapaz de passar despercebido, muito pelo contrário. Ele é uma figura tão importante quanto a protagonista. Na verdade ele é a pedra no sapato de Frankie, e esse detalhe é o que torna a história instigante e viciante. 


 Zada  - a irmã mais velha de Frankie - que está sempre disposta a debater as opiniões da caçula, utilizando seus contra-argumentos feministas, também me cativou. Ruth (a mãe), apesar de mal entrar em cena, é sempre citada por Frankie por conta das suas lembranças. Alguém incapaz de imaginar do que a "princesinha" da família seria capaz de fazer. O seu pai é conhecido como Sênior. Quando suas filhas foram unânimes em afirmar que ele é um chato, não tive outra saída a não ser concordar com elas. Os demais personagens secundários também desempenham bem seus papéis, como por exemplo: Trish, a melhor amiga de Frankie.


A Leal Ordem dos Bassês já não era a mesma desde que foi fundada nos anos 50. Os atuais participantes não tinham ideias geniais. Na verdade eram bem vergonhosas, até a intromissão de Frankie. Definitivamente depois que ela tomou as rédeas, tornou-se o cérebro pensante do grupo. O que era sem graça e invisível as outras pessoas, mostrou-se interessante e perceptível a muitos alunos da Alabaster. A cada peça pregada, eu me divertia muito e a reação do Alfa era no mínimo curiosa. 

Por trás de uma história descontraída, a autora aborda a necessidade que todo ser humano tem em se destacar, de se sentir realizado através de reconhecimento e admiração, explorando tanto o lado bom, quanto o lado ruim - quando as coisas acabam saindo do controle em nome da ambição. É uma obra que possui todos os ingredientes necessários para agradar os mais variados leitores de todas as idades. 


Se você gosta de histórias criativas, que não dão chance à monotonia, capaz de fazê-lo manter os olhos grudados até você virar a última página, eu recomendo!


   Fotos por Ler & AlmejarCopyright Todos os direitos reservados a Ler & Almejar.

20 comentários:

  1. Esse livro parece ser ótimo e super divertido. Sem contar que a diagramação parece estar impecável, gostei, principalmente do bassê na contra capa. E suas fotos são lindas, parabéns!

    Bjs! http://nasquartasusamosrosa.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Mari!

      Eu realmente gostei muito desse livro. Dá para ler numa tarde de final de semana, pois a leitura é muito viciante e prende bastante.

      Fico feliz que goste das fotos!

      Beijos ^_~

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  2. Me apaixonei pela capa e também estava louca para ler esse livro, ainda não li, mas pela resenha a expectativa só aumenta!

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    1. Olá, Márcia!

      Esse livro realmente é daqueles que valem a pena. Espero que goste.

      Beijos ^_~

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  3. Esse é um dos livros da minha lista de desejados, títulos diferentes sempre chamam a minha atenção.

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    1. Oi, Cris!

      É um livro super divertido, que vale muito a pena. Além disso, a autora tem umas ótimas sacadas. Adorei!

      Beijos ^_~

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  4. Rê, eu tô adorando a sua nova fase de fotografias, suas fotos são tão fofas.
    Fico feliz que você tenha gostado da Frankie e da sua necessidade de ser notada de todas as formas possíveis. O mais bacana pra mim é ela ser uma adolescente bem diferente do que estamos acostumados a ver nos livros.

    Beijos
    Fernanda - Leitora Incomum

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    1. Oi, Fer!

      Fico imensamente feliz em saber que está curtindo essa nova fase de fotografias. Confesso que estou amando! :)

      Acho que a Frankie é uma das melhores protagonistas desses livros atuais. Gostei muito dela por ser determinada e fugir do óbvio. Valorizar outras qualidades, além de vaidade.

      Beijos ^_~

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  5. Oi, Rê.
    Fiquei super feliz de ter ganhado esse livro no Literatura Solidária e estou doida para ler! Já sei que ele vai comigo para Fortaleza!! Bom... isso se eu não conseguir ler antes da viagem!!
    Beijos
    Camis - Leitora Compulsiva

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    1. Oi, Ca!

      Espero que você curta. Acho muito válido você levar para sua viagem, pois é uma leitura que combina com a ocasião.

      Beijos ^_~

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  6. Pela sinopse esse livro não tinha me chamado tanto a atenção. Agora lendo a resenha estou bem curiosa para lê-lo! A Frankie parece ser uma personagem bem legal de acompanhar, com própria personalidade diferente daquelas mocinhas de livro que nunca tomam a frente rs. Amei também ter uma sociedade secreta no livro =)

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    1. Oi, Gi!

      Acho que dois pontos interessantes no livro é a sociedade secreta - que não é tão secreta assim rs - e a protagonista que possui uma personalidade que foge dessas personagens atuais que vemos na maioria dos livros. Espero que curta a história.

      Beijos ^_~

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  7. Quando vi esse livro nem a capa, nem a sinopse me chamou muito a atenção, muito pelo contrário achei a capa super estranha. Mas, depois fui lendo resenhas e vi que parece ser um bom livro e passei quere-lo. E em cada resenha minha vontade aumenta.

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    1. Olá, Oliveira!

      Eu curti muito a capa do livro, acho que exatamente por ser "estranha" hehehehe. A história realmente vale a pena, é bem divertida e inteligente.

      Beijos ^_~

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  8. Desde que eu vi o lançamento desse livro fiquei ansiosa pela leitura, parece ser um estória gostosa e divertida. Na verdade, a sinopse me lembrou bastante os livros do John Green e, como fã do autor, isso me deixou ainda mais animada pela leitura. A sua resenha só me deixou, também, com mais vontade de ler! Beijos, http://rehabliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Carol!

      Ah, o John Green inclusive ajudou numas dicas, etc... e realmente vale muito a pena. Tem uma leitura gostosa e criativa.

      Beijos ^_~

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  9. Não gostei da capa, mas como diz o ditado, quem ve capa não ve conteúdo, o livro parece-me, pela sua resenha, que é ótimo. Então está anotado para leitura futura.

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    1. Oi, Maristela!

      Eu gostei da capa por ela fugir do padrão, mas gosto é gosto. Espero que aprecie a leitura :)

      Beijos ^_~

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  10. Só no tempo de chegar a caixa de comentários eu já esqueci o nome do livro :'( haha, mas foi ele que me chamou a atenção e me fez ler a resenha. Já andava curiosa com E. Lockhart e depois dessa resenha só aumentei minha vontade de ler *---*
    ;*

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  11. Acho a capa do livro super criativa e um tanto fora do padrão. Creio que isso foi o que mais me chamou a atenção no livro. A resenha está ótima e me fez pesquisas mais sobre o livro e começar a pensar em comprá-lo.

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